Vou falar, um pouco, sobre a Queiroz Galvão Exploração e Produção (QGEP), empresa que terminou o ano, como minha maior posição, representando, aproximadamente, 25% da minha carteira de investimentos.
Houve momentos, no 2° semestre de 2012, que essa empresa representou mais de 50% do meu portfólio, tudo isso, porque eu enxergava muito valor na companhia, via o mercado subprecificando cada vez mais a empresa, esperei o mercado parar de bater na coitada, após as más notícias vindas de Santos, e comecei a comprar participação na empresa, pouco tempo depois, as ações começaram a responder. Atualmente, por gestão de risco, diminui a exposição ao ativo, mas ele continua como, minha maior posição, na carteira.
Histórico (Cia e Grupo controlador)
A Queiroz Galvão Exploração e Produção é integrante do Grupo Queiroz Galvão, conglomerado industrial fundado em 1953.Em 1981, o Grupo Queiroz Galvão iniciou sua atuação no setor de petróleo e gás natural com a prestação de serviços de perfuração de poços para exploração e produção de petróleo, e, a partir de 1996, o Grupo Queiroz Galvão iniciou atividades de exploração e produção de petróleo e gás natural, que desde setembro de 2010 estão todas concentradas na QGEP.
Companhia possui um diversificado portfolio de ativos de alta qualidade e potencial de exploração e produção composto por direitos de concessão sobre cinco blocos exploratórios distribuídos na costa brasileira, incluindo os reservatórios no pré-sal, localizados nas Bacias de Santos, Jequitinhonha e Camamu, cobrindo uma superfície total de 2.724 km². Adicionalmente, possui 45% de participação na concessão do Campo de Manati, localizado na Bacia de Camamu, que é o maior campo de gás natural não-associado em produção no Brasil de acordo com dados da ANP, o qual se encontra em operação desde 2007 e cuja capacidade de produção é de aproximadamente 50,3 mil boe por dia.
Abertura de Capital (IPO)
A Queiroz Galvão Exploração e Produção (QGEP3) abriu capital, em fevereiro de 2011, nessa ocasião, a QGEP realizou uma oferta primária de ações de 79,7 milhões de ações. Uma oferta primária de ações ocorre quando uma empresa realiza emissão de novas ações e o dinheiro da operação vai todo para o caixa da companhia. No caso, eles captaram R$ 1,515 bilhão de reais, quantia essa que reforçou o caixa da QGEP. A precificação da ação no IPO foi de R$19,00 por ação.
Montagem da Posição
1° Compra em julho de 2012.
Valorização de 45,6% em poucos meses
A QGEP possui atualmente 265.806.905 ações. Uma ação é a menor parte do capital social de uma companhia, multiplicando-se o número de ações por sua cotação temos o valor de mercado da empresa.
O meu preço-médio de compra, em ações da QGEP3 é de R$ 9,01 por ação, tal valor significa que, em média, comprei participação acionária na companhia, ao valor de mercado (valuation) de R$ 2.394.920.214,05 ( 2,4 bilhões de reais).
Na minha opinião tal avaliação não reflete a qualidade dos ativos da QGEP, e os meus pontos se resumem, a seguir:
(i) Geração de caixa do campo de Manati, por si só, financia Capex Exploratório
Comentário: O campo de Manati (45% da QGEP) gerará até o fim de 2013, aproximadamente, US$ 250 milhões de fluxo de caixa, o suficiente para financiar o Capex exploratório previsto em US$ 230 milhões, até o final do mesmo período. Acredito que a participação da QGEP nesse ativo, por si só, valha R$ 1,5 bilhão de reais.
(ii) Posição de caixa confortável
Comentário: A QGEP finalizou o 3° trimestre de 2012 com um saldo de caixa de R$ 925,5 milhões, haja vista que o Capex exploratório da QGEP está garantido pela geração de caixa oriunda do campo de Manati, os recursos em caixa da companhia poderão ser utilizados para expansão do portfólio de ativos da empresa, em oportunidades de farm-in e em futuras licitações da ANP. Lembrando que a QGEP quitou toda a sua dívida, não possuindo mais débito com instituições financeiras;
(iii) Êxito nas aquisições pós- abertura de capital
Comentário: A QGEP realizou 2 aquisições desde que abriu o capital:
1°) Adquiriu 10% do Bloco BM-S-8 (Bacia de Santos) por US$ 175 milhões de dólares, operado pela Petrobras.
Obs: Em agosto, a Petrobras anunciou que o prospecto Carcará no Bloco BM-S-8 contém expressiva coluna de 471 metros de óleo com excelentes características de permeabilidade e porosidade. O tamanho da área total do reservatório, entretanto, ainda não foi apurado mas para se ter uma ideia, o campo gigante, de Lula (ex-Tupi) que possui pelo menos 5 bilhões de barris de óleo equivalente, tem uma coluna de óleo menor do que esta de Carcará.
2°) Adquiriu 30% do Bloco BS-4 (Bacia de Santos) por US$ 157,5 milhões de dólares.
Obs: Aquisição considerada positiva, pois, diversificará a geração de caixa da companhia. As atividades de perfuração dos campos de Atlanta e Oliva estão previstas para 2013 e o primeiro óleo está previsto para 2014, tem volume in situ estimado em 2,1 bilhões de barris de petróleo. No final, de novembro, a OGX, de Eike Batista, comprou 40% desse Bloco BS-4 à Petrobras, por US$270 milhões. A OGX, definiu a aquisição como "oportunidade única". Lembrando que a QGEP, comprou a sua participação nesse bloco por US$ 157,5 milhões, em fevereiro de 2012, o que representa uma valorização de quase 30% no ativo, em poucos meses.
(iv) Presença de vários prospectos na carteira, onde o mercado não espera nada, mas pode gerar valor para a QGEP através de novas descobertas
- Piapara (BS-4)
Todo o Bloco BM-S-12
- Bloco BM-J-2
- CAM#01 no Bloco BM-CAL-12
-Copaíba no Bloco BM-CAL-5
Quadro Resumo Financeiro:
(obs: 2013 resultado esperado)
Portfólio de Ativos atual:
É importante, salientar que empresas petrolíferas trabalham com probabilidade, por isso, você nunca verá uma empresa pequena como a QGEP, com 100% de participação em algum prospecto, nesse mercado, existem três tipos de reservas, as provadas (1P), as prováveis (2P) e as possíveis (3P).
1) Posição de Caixa
A QGEP, possui R$ 925,5 milhões de reais em caixa, a empresa eliminou o seu endividamento no 2° trimestre de 2012, não possuindo dívidas atualmente.
2) Ativos em Produção e Desenvolvimento
2.1.) Campo de Manati campo de gás ( 45% participação QGEP)
Conforme informado ao mercado em outubro de 2012, recebemos, neste trimestre, a certificação atualizada da Gaffney Cline & Associates (GCA) para reservas do Campo de Manati. Considerando que a produção de gás natural do Campo foi de 1,5 bilhão de m³ em 2011, a certificação mostrou reservas 1P de 19,7 bilhões de m³ de gás natural, e reservas 2P e 3P de 20,5 e 22,0 bilhões de m³ de gás natural, respectivamente
2.2.) ATLANTA E OLIVA ( BS-4) (30% participação QGEP)
O Bloco BS-4 inclui os campos de óleo do pós-sal de Atlanta e Oliva, nos quais a QGEP atua como operador e possui 30% de participação. Os Campos estão localizados a 185 km da costa brasileira com óleo de 14º a 16º API e volumes in situ estimados em 2,1 bilhões de barris. A Companhia está se preparando para que o início da perfuração neste bloco ocorra no segundo semestre de 2013 e o primeiro óleo seja produzido até o final de 2014.
3. Ativos de Exploração
3.1.) BM-S-8 (10% participação QGEP)
Nesse bloco, foi concluida a perfuração do prospecto Carcará. As avaliações realizadas até o momento constataram uma coluna expressiva de pelo menos 471 metros de óleo O destaque da descoberta é o tamanho do reservatório, considerado gigante, e classificado como uma das principais descobertas do pré-sal da Bacia de Santos, ao lado de Lula (ex-Tupi). Conforme informou a companhia, Carcará possui uma “coluna com espessura superior a 400 metros de petróleo, caracterizada principalmente por reservatórios contínuos e conectados”.
O óleo encontrado é leve, com cerca de 31º na escala API (American Petroleum Institute). O reservatório fica próximo à área chamada “cluster de Tupi”. O poço, que ainda está sendo perfurado, atingiu uma profundidade de 6.213 metros e comprovou que os reservatórios carbonáticos têm “excelente características de porosidade e permeabilidade”.
3.2.) BS-4 (30% participação QGEP)
Os contratos visando à perfuração do prospecto Piapara estão sendo negociados com diversos fornecedores objetivando o início das atividades no segundo semestre de 2014. O custo estimado para esta perfuração, com objetivo no pré-sal, é de US$ 80 milhões líquidos para a QGEP.
3.3.) BM-S-12 (30% participação QGEP)
Conforme anunciado em outubro de 2012, o consórcio solicitou à ANP a revisão do Plano de Avaliação de Descoberta (PAD) do poço Ilha Bela (1-SCS-13) no Bloco BM-S-12. Esta solicitação envolve a reentrada no poço descobridor, perfurado em 2008, para que seja avaliada a possibilidade de realização de um Teste de Formação a Poço Revestido (TRF). O pedido foi submetido a ANP no final de setembro de 2012 e o Consórcio ainda aguarda resposta. Em caso de aprovação, o Consórcio espera reentrar o poço em 2014 e o investimento previsto para estas atividades está estimado em US$25 milhões, líquidos para a QGEP.
3.4.) BM-C-27 (C-M-122, C-M-145 e C-M-146) (30% participação QGEP)
Localizada a 70 quilômetros da costa brasileira e com lâmina d’água de 50 metros, a Área do Plano de Avaliação possui um prospecto de pré-sal identificado, Guanabara Profundo, que deverá ser perfurado em 2013 apresentando uma maior probabilidade de ocorrência de gás úmido. Profundo. Os investimentos exploratórios para a QGEP estão estimados em US$55 milhões.
3.5.) BM-J-2 (100% participação QGEP)
No Bloco BM-J-2, localizado na Bacia do Jequitinhonha, no qual a QGEP é operador e possui participação de 100%, o prospecto Alto de Canavieiras (JEQ#1) já foi perfurado até uma profundidade de 2.540 metros e a profundidade final estimada em 4.700 metros deverá ser alcançada no terceiro trimestre de 2013. O investimento planejado remanescente para o Bloco BM-J-2 permanece em torno de US$70 milhões.
3.6.) BM-CAL-12 e BM-CAL-5 (20% participação QGEP)
No Bloco BM-CAL-12, um poço pioneiro deverá ser perfurado em 2013, tendo como objetivo o prospecto CAM#01. Os custos exploratórios líquidos para a QGEP serão de aproximadamente US$ 40 milhões.
No Bloco BM-CAL-5, um poço adicional será perfurado em 2014 para a avaliação da descoberta de Copaíba. O consórcio está atualmente em processo de renovação da licença ambiental para perfuração nesta área e os custos exploratórios líquidos para a QGEP estão programados em US$22 milhões.
QGEP na minha carteira
Como já foi dito, QGEP já foi mais da metade da minha carteira de investimentos, agora em dezembro, vendi 50% da posição que tinha em QGEP, pois vislumbrei exelentes possibilidades em outras posições e também quis diminuir a minha exposição perante uma única empresa. Encerro o ano, com QGEP3 sendo 24,9% da minha carteira de investimentos.
Relatório Barclays
Os analistas da Barclays, em relatório de janeiro de 2013, dizem que o ponto de maior atratividade da Queiroz Galvão é a participação de 10% no pré-sal do bloco BM-S-8, conhecido como Carcará. Para a equipe do Barclays, esse é potencialmente um fator para virar o jogo.
Outros pontos positivos incluem uma forte equipe técnica, com a melhor comunicação entre as empresas acompanhadas na América Latina, e um risco de queda limitado, por conta dos ativos produtores e das reservas - os campos de Manati, Atlanta e Oliva representam cerca de 77% do valor de mercado da empresa.




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